Você sabia que a cerveja foi uma invenção essencialmente feminina há cerca de 10 mil anos atrás? Especialmente na Mesopotâmia e na Suméria, a cerveja, desde sua invenção, tinha como objetivo principal a alimentação da família, ou seja, uma parte do cardápio familiar e o cardápio familiar era uma função atribuída a quem cuida dos afazeres domésticos, ou seja, tarefa atribuída as mulheres. Mais do que a invenção, o aperfeiçoamento da mesma foi, por muitos anos, ofício exclusivamente feminino. Não demorou muito para que o comércio da cerveja começasse como forma de incrementar o orçamento da casa, então as mulheres começaram a administrar vários pub’s. Isso mesmo, os bares eram frequentados apenas por mulheres a fim de discutirem novos ingredientes e preços. Tais mulheres eram conhecidas como “Alewifes”, ou esposas-Ale, onde a palavra “Ale” se remete ao malte das cervejas por elas fabricadas.
Estima-se que no século XV (crise da Idade Média e início do Capitalismo), o desenvolvimento e a fabricação da bebida começaram a ser retirado das mãos e do universo feminino e aos poucos a ser ressignificado como um elemento masculino. Isso se deu pelo fato de que a igreja condenava fraternidades femininas ditas como “movimentos hereges” e foram ferozmente perseguidos, então deu-se início ao período de “Caça às Bruxas” que ficou muito popular desde então. A figura de bruxa era facilmente associada as mulheres cervejeiras por conter, em sua posse, caldeirões para a produção, gatos para eliminar os ratos que se proliferavam nos pub’s por consumirem os maltes e as vassouras penduradas na porta para avisar que ali se comercializava cerveja. Muitas cervejeiras foram queimadas na fogueira, injustamente, acusadas de bruxaria.
Enquanto isso acontecia, muitos homens foram aprendendo a produzir cerveja, pois o hábito de toma-las já se tornara muito popular em toda Europa. Tal processo de apropriação se deu desde o século XV até meados do século XVIII.
O processo de produção em grande escala começou juntamente com a revolução industrial, e como trabalhos fora do lar era atribuído ao homem da casa, a produção e aprimoramento de cerveja passou a ser algo dominantemente masculino. E assim a figura feminina começou a ser apagada da história da criação e produção de cervejas.
Então, antes de sugerir a uma mulher que beba um vinho por ser uma bebida mais feminina, lembre-se que o DNA da cerveja é completamente femeal!

 

Referências Bibliogáficas:
Livros: Drink: A Tippler’s Miscellany, Brilliant Britain e Beer o’ Clock – Jane Peyton;

Editado por Helena Bordini

 

Leitor de Página Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support